domingo, 5 de abril de 2009

Êxtase

Colado ante sua,
Boca entreberta
Toda nua,
Logo desperta

Epitélios simulando
o prazer exalando
O atrito aumentando
Devaneios caindo, andando,

Pulando, correndo, saindo, existindo!

Beijos ao léu
Cheiro de feromônios.
Lábios molhados, gosto de mel
Por todos os lados, hormônios!

Ônus das palavras,
Jogo a bandeira.
Culpa de sua lavra
A paixão beira.

Erra, enterra, guerra, berra

Confusões
Meu lábio grudado,
Diversas visões
Olfato aguçado

Paladar melado
Audição ulterior
Smack acentuado
Tato? Conquistador.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Didática Esquizofrênica


Às 7 da manhã!

Grito aos quatro cantos da sala: " - Didática!". Mas, ninguém me ouve. Sou vaiado mentalmente, entro em transe, fico invisível ante os outros companheiros hipnotizados pela aula, ou sem o mínimo de atenção nela. Passo por trás do data-show, desapercebido abro a porta, saio sem bater. Sento no banco ao lado da porta, penso. Logo, caminho até a lanchonete.

Tomo café, converso, após 30 minutos, vou à sala, com maior vontade, maior vontade de atenção, embora com senso-crítico mais apurado. Abro a porta, clima de sono, penumbra. Escuto os tics do professor, "-né?" "-né?" "-né?".

Um coração de mamífero, aula de anfíbio. Dipnoi representando salamandra.

Chega! Não dá mais. Se já não bastasse ler os slides mal, errando a leitura, mente deslavadamente?

Escrevo, critico, critico, critico, mas nada. Convenhamos, aula estritamente feita para presenças.

Época de provas, quatro capítulos após oito meses de peixe. Estudar?

Pesquisar e Extensionar.

Resultado, todos abaixo da média. Santa masturbação intelectual.

Preocupado, o professor para a aula após escutar um barulho lá atrás: "- Olha quem quiser sair, pode sair, agora não queiram conversar na aula não"; "- Não dá, não dá, passo 12 horas fazendo uma apresentação de power point para vocês ficarem conversando?".

Agora o cúmulo, para finalizar:

Incorporating Ontogeny into the Matrix: A Phylogenetic Evaluation of Developmental Evidence for the Origin of Modern Amphibians. Anderson, J. S.

Diversos nomes estranhos de grupos com caracteres desconhecidos, traduzimos, e qual destino a tradução ganha? Gaveta. Provas? Gaveta. Zoologia? Gaveta.

Sem tesão, deixo aqui minhas condolências à disciplina.

"- Né?"

domingo, 29 de março de 2009

Diferenças Darwin X Wallace (1858)

Enfim, acabei de ler o artigo do Kutschera (2003) e saibam as diferenças entre os artigos do Darwin e do Wallace, publicados pela sociedade lineana em 1858, culminando com o grande livro de 1859 que dispensa apresentações, eis algumas diferenças:


1- Wallace julga os animais domésticos de anormais, e não como modelos naturais padrão. Darwin força o pensamento nas similaridades entre variantes domésticos e naturais na construção da argumentação. (interessante saber que os conceitos de espécie do Darwin são três: variedades, subspécies e espécies verdadeiras).

2 – No artigo por Wallace somente animais (vertebrados, insetos) são citados como lutando pela sobrevivência. Enquanto Darwin cita os animais e as plantas, respectivamente, móveis e sésseis.

3 – Wallace força a competição dos animais em relação ao ambiente (enquanto vivente ou inorgânico) e entre espécies separadas: a luta contra inimigos e predadores é o decisivo processo no artigo dele. Darwin, por outro lado, enfatiza a competição interespecífica: a luta contra uma espécie próxima.

4 – Do grande início da carreira de evolucionista, Wallace (1858) rejeitou o conceito proposto por Lamarck, enquanto Darwin, durante sua vida, aderiu ao princípio da herança das características adquiridas.

5 – Wallace não mencionou o fator tempo (o número de gerações que podem passar) enquanto novas variedades de espécies podem ocorrer como um resultado de uma consistente força de seleção natural. Darwin pontuou a importância dos intervalos de tempo geológico com respeito à origem de novas espécies e se referindo a milhares (ou milhões) de gerações.

6 – Darwin introduziu, em adição aos meios naturais de seleção, o segundo princípio: a luta entre machos e fêmeas (seleção sexual). Wallace não menciona o segundo tipo de seleção, o qual é resultado do sucesso de acasalamento diferencial.


Observações interessantes:


O termo seleção natural foi iniciado por Darwin, e não por Wallace.

Os termos adaptação e população em um senso moderno foram sintetizados por Wallace, e não por Darwin.

Ambos não utilizaram a palavra evolução, embora nos livros seguintes eles se referem à esta palavra como chave em diversas ocasiões. Utilizaram a palavra espécie em ambos os trabalhos.


KUTSCHERA, U. A comparative analysis of the Darwin-Wallace papers and the development of the concept of Natural Selection. Theory Bioscience, 122: 343-359, 2003.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Tudo é natural?

Diria Darwin, quanto a seleção artificial:
"Eu estou convencido que a seleção ocasional e intencional tem sido o mecanismo padrão na produção de nossas raças domésticas; (...) A seleção age somente pela acumulação de pequenas ou maiores variações, causadas por condições externas, ou pelo mero fato que o filho não é absolutamente similar ao seu parente. O homem, pelo poder de acumular variações, adapta os seres vivos como quiser." (DARWIN, 1858, p. 51)

Ou Wallace:

"Nenhuma inferência como para variedades em um estado da natureza pode ser deduzida de uma observação das que ocorrem entre animais domésticos. As duas são muito opostas da outras pela mesma circunstância de sua existência, que o que se aplica a um é quase certeza de não se aplicar ao outro. Os animais domésticos são anormais, irregulares, artificiais; eles são assuntos de variedades as quais nunca ocorreram e nunca podem ocorrer no estado da natureza: sua grande existência depende de viver junto ao cuidado humano" (WALLACE, 1858, p.61)
Presente neste maravilhoso artigo, repleto de informações novas sobre o Wallace, comparando-as com os conceitos do Darwin.

KUTSCHERA, U. A comparative analysis of the Darwin-Wallace papers and the development of the concept of Natural Selection. Theory Bioscience, 122: 343-359, 2003.