Mostrando postagens com marcador Lugares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lugares. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de junho de 2009

Cabaços, Bodes, Álcool e Ciência

Dos sóbrios aos intoxicados se incluem os mijados pela cabrita. Em artigo proposto pelo grande etólogo Antônio Souto, o álcool é sinônimo de fartura feminina durante a noite. ou melhor, madrugada. O sucesso reprodutivo fica mais alto, e as chances de rejeição são menores aos diversos gêneros "a" que aparecem, e somem, aparecem e somem, ou como o artigo propõe, se transformam.

O artigo foi descrito didaticamente por Ribamar, um grande amigo de sala e fã do etólogo citado anteriormente, que com Aécio, outro grande amigo. Juntos formamos o grupo de pesquisa instantânea, cadastrado no Conselho Ofídico Campinense, para os estudos festivos de campo. Nada de pranchetas, usamos o método view and talk (assim em inglês é melhor aceito e alegorado). Algumas analisadas foram destalks² (sic), outras nem tanto. Trocadilhos infames que se perpetuaram madrugada afora.

Estávamos em Cabaceiras-PB. Festa do Bode Rei, logo adianto, uma grande chacina de caprinos.

Mas, voltando ao viés heurístico, o que estava no artigo aconteceu depois de uma cartela de doses:

A detecção da simetria ficou menor. As faces que passavam tinham traços mais coesos, retos, harmonia total.

A culpa?
Xixi da cabrita.

Uma moda em Cabaceiras é tomar uma bebida enjoada, tão doce que arrepuna! O xixi fez vítimas. Colocar a culpa no xixi não é certo, certo é colocar no artigo do Souto na revista Perception. No final, éramos nós os objetos pesquisados. Estávamos lá, com a cartela de doses vazia no início da festa, todos encharcados. Após duas doses, muita chuva, muita dança e alegria ao reencontrar amigos, fazer novos amigos. Acabamos por formar uma quadrilha, alegramos sozinhos a festa. Na festa o público era dividido em:

Cantores, os des(talks) e nós, o grupo, Aécio, Ribamar, Larisse e Monique. Esta última estrela do forró, a estrela da noite, um tanto cadente, mas lá com toda aquela produção maravilhosa roliudiana. Esteticamente abrupta. Não entendeu? Então, só vivenciando o momentum hilário: "- Arroxa Riba, só falta você!".

Deixamos Monique de lado, Larisse some, e ao pararmos ao lado de grupo de mulheres produzidas, começamos a inferir, quantas argolas de zinco no braço fazem o senso-crítico feminino abaixar, qual era o modo destas olharem disfarçando o flerte. Aécio cita duas olhadas e uma alisada no cabelo, como sinal positivo para a paquera. Cito aquela olhada por trás dos amigos, onde um alvo fica entre você e ela, como um eclipse lunar, onde uma beirada de olho (Lua) separa o receptor da conversa (Terra), de você (Sol). Nunca fui muito de paquerar olhando, o poder da palavra é bem maior, e é nele que me aprofundo. Lá estava ela, a palavra, sendo que aquele público não sabia conversar um papo produtivo, diria que elas perguntaram:

"- Qual a banda de amanhã?"
"- Você vai para o Parque do Povo?"
"- Mulheeeeeer, Forró do Muído vai ser ótimo!"
"- Faz que curso?"
"- Você está bêbado?"

Esta última pergunta, teve um quê sarcástico. Se a revista era perceptions, foi agora que percebi, cai em si, sou fruto de minha pesquisa, aliás de nossa pesquisa. Começar a falar palavras bonitas em uma festa não cai muito bem, começa aquela eloquência denigrente! Enfim, eu estava bêbado. Bêbado, cansado e com sono. Falando palavras difíceis.

A aventura de João Pessoa direto para Cabaceiras, sem direito a parar em Campina Grande, e com direito a moto-taxista passar em diversos sinais vermelhos é hormonalmente adrenalínica.

Voltando à percepção. Os três gritam, "Viva Antônio Souto!" E lá se vai mais uma dose, canecas ao alto. Arriba (ao nosso colega ribamar), Abarro (à caneca de barro), Assento (é bom descansar), Bode Rei! Antônio Souto! Aomijo! E lá se ia mais uma noite festiva debaixo de uma grande chuva, onde os populares faziam jus aos caprinos, debaixo das barracas e do salão da festa.

Tragicômico. Intoxicado por álcool, com vontade de dormir. Tudo que passava era belo, até algumas spoanzetes (em homenagem às pesquisas da querida Silvana) e lá se vão mais alguns milhões de risos. Depois de algumas doses, meu olhar clínico decai. Acho que errei até a Síndrome, embora aquele passo "três e meia" não me engane!

Noite maravilhosa, super produtiva. Com a última banda da sexta-feira desafinada, fomos dormir, após uma última observação nos exemplares femininos do palco e, claro, comentários quanto a simetria bilateral, como se portavam os músculos após intenso trabalho. Todos veêmentemente concentrados (hipnotizados?) com tal locomoção harmoniosa às quinze para as cinco da manhã. Olhando ao palco fixamente.

Deixamos o local da competição, e nos retraimos ao nosso aconchegante local reduto de descanso. Sempre adulados pelo grande Riba, e por dona Rita. Bem recebidos em Cabaceiras, boa ida, boa volta, boa refeição vegetariana. Com direito a passada no Rio Taperoá, na padaria do filme do João Grilo e tocar no "coco"¹ do bode, segundo ditados populares, se tocar no "coco" dele, o desejo se realiza.

Nada de fotos, nem pavãozagem. Esse modo de atração do macho, ter um rabo atrativo, só no gênero Pavo. Pior do que as fotos em cima dos caprinos espalhados artisticamente pela cidade, era desfilar com a "rainha do bode", um grande gênero Callitrix em cima de uma carroça de burro, muito pouco assediada e com o sucesso reprodutivo baixo.

Durante o início da noite, antes da manifestação artística sonora poluente, ainda participamos da eleição desta "Demi Moore" caprino-roliudiana, com nossa torcida: "- Camarão", "- Capeta!"; "- Bicha boa!"; "- Sem bunda!"; "- Rapariga!"; "- Trombadinha!" (em sinal ao desfile "muito simétrico" de uma das candidatas); "- Poliana", esta última não sei quem era, todos gritavam, tínhamos de ir no embalo, baixar o nível e liberar serotonina. Colocando, claro, nosso símbolo ao falarmos! O grande losango, mais conhecido como rombo!

De resto, uma caneca de barro de recordação e uma vontade de criar um etograma apropriado aos festejos urbanos/juninos/julhinos/agostinos... Quem se gabarita?

¹saco escrotal
²sem conversa

sábado, 16 de maio de 2009

Efeito Coriolis

As gotas se sobrepõem ao pára-brisa, como tinta guache diluída e lançada sobre uma folha de papel A4, lembrando atividades que fazíamos quando crianças, lepidópteros disformes, que dizíamos ser simetricamente bilaterais, após um assopro no centro da folha. Logo, a nuvem densa passa segundos após o Sol se descobre os canaviais. As gotas ainda se unem fugindo para extremidade do pára-brisa, no caminho se unem às outras em um rimo frenético de fuga, olho para o lado e lá estão as fugitivas se deslocando rapidamente. As que conseguiram ancorar suas ventosas moleculares ao vidro continuam imponentes. As outras fogem ao lado, instáveis.


Neste ritual da água, vidro e Sol, o ar-condicionado esfria os pensamentos, percebo-me ao lado de estranhos. O ambiente urbano logo aparece. Chaminés, fumaça, se já não bastasse os canaviais. Há quem diga que isso é natural, embora veja o uso de diversos artifícios criados pela lógica humana, modus tollens, algo que vai além de simples ações instintivas, e se abrem ao leque egocêntrico, daqueles que possuem, e super-egocêntrico, daqueles tantos outros que censuram, dão "pitacos".


Volto a olhar o pára-brisa, já não restam muitas gotas ali, o ambiente urbano me tomou a atenção do caminho que elas levam para fugir da frente e dos lados vidraçais transparentes que me rodeiam.


Amizades, família, política institucional. Habilito-me a pensar nas gotas unindo para depois se espalharem, por ai, quantos amigos jazem, chego ao quesito família, quantas vezes mais fui visitar meus parentes, e na política, grupos se fazendo e desfazendo, idéias e ideais atropelando, somando , segregando. Algumas gotas persistem, outras logo evaporam, embora nenhuma parte absorvida, que poderiam manter a temperatura. Pobres seres homeotérmicos, quanto desperdício de energia, quando há gotas para nos controlar. Agora, estou chegando perto da fonte.


O mar.


<--Alto do Mateus


<-- Rodoviária


<-- Retorno



sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quilos e Metros

16:45 no visor do celular.

Revisando um paper no computador, lá estava eu a terminar. Terminei os encaminhamentos da Extensão e me preparar para correr. Os desafios encontrados? Descrevo agora.

Dia frio, chuvoso, com nuvens densas, nublado em alguns momentos. Nestes últimos pude sair de casa, com o uniforme do Brasil da Copa de 70 e uma maçã na mão. O adereço fica por conta da faixa preta que coloquei na cabeça para segurar meus cachos que estão incomodando, alguns dizem que estão volumosos, outros arguem que são belos, e há quem discorde (até da postura narcisista, como eu).

Portanto, sai de casa, passei em frente à Renault, o tempo já não estava amigo dos bodes, caminhando fui, acelerei o passo. Descrevendo a paisagem, encontro algumas lojas de grande porte: Gran Moto, a Escola Normal (ops), Posto Brasília, Hyundai, Caoa, um terreno baldio, um trailer, alguns degraus, o Hospital Mariana, atravesso a rua, chego no outro Posto de Gasolina, atravesso mais uma vez a rua, e chego no Açude Velho.

Aquele bom alongamento é essencial, e começa pela cabeça, depois os membros periféricos inferiores e superiores, e finalmente o tronco. A escoliose não me deixa, e tenho de alongar para fortalecer os músculos que estão se atrofiando. Alongar o tronco sempre é o mais difícil. Chego a duvidar de minha elasticidade, mas logo consigo o alongamento total. As formigas sempre atrapalham meu alongamento.

Hoje, em especial, feriado, diversas ondas sonoras se sobrepondo, tendo como fonte diversos carros estacionados no meio da calçada, se não bastasse, até a TV Paraíba estacionou o caminhão equipado com o sistema "ao vivo" no meio da calçada de pedestre. Como não seria uma corrida pacífica mudo a trajetória.

Chegou a hora, começar.

Passo os quiosques, com aquela barulheira imensa, diversas putas descendo até o chão. Antes de chegar próximo ao antigo Complexo 5, que atualmente tem um cheiro insuportavel de dejetos em meio aos escombros, sinto que vou correr mais do que os outros dias, pela disposição e boa vontade. Segui meu caminho, passei ao lado da academia (k)corpus, ao lado da itapemirim, atravesso o semáforo rumo ao Parque do Povo, passo ao lado do bar do Tenebra, e dos esqueletos das barracas do São João no Parque do Povo. No semáforo logo acima, passo a avenida, e sigo correndo no Açude Novo, ganho o sentido da Integração, pego à esquerda correndo. Algumas pessoas caminhando ainda, em pleno feriado, fico contente, e outras diversas pegando ônibus. Sigo na rua que o 333 sobe, a rua em sentido à Prata, subindo para o SENAI, Feira da Prata, etc.

Lá vou eu subindo a ladeira, a primeira vai até o semáforo logo em cima, depois de diversas clínicas, do crea, chego no topo da primeira ladeira, uma descida pequena ao lado da secretaria de saúde, ao lado do SENAI e do SESI.

Não vejo o topo da próxima ladeira. Ah! A ladeira da Bela Vista, onde até os carros têm receio de subir, e quando me dou conta logo estou próximo ao declive acentuado no topo de uma das ladeiras mais temidas de Campina Grande, a velha e famosa ladeira da Bela Vista. Antes de chegar lá, próximo à Feira da Prata vejo duas palmeiras, nelas coloco meu objetivo, chegar até lá. São só alguns minutos de corrida, e a gravidade fazendo peso, mas molhado e mais pesado sigo. As primeiras passadas leves, e ainda aumento a frequencia, sinto que meu corpo aguenta. Na metade do caminho transeuntes olham desconfiados, a viatura da polícia passa olhando, e sigo meu caminho, até o topo, até avistar a grande ladeira que muitos levam multa no pardal escondido. Chego lá em cima, com aquele ar de missão cumprida. E faço o caminho de dois anos atrás, quando estava no ápice de minhas corridas de final de tarde. Do topo sigo à esquerda, depois à direita, depois à esquerda, desço a ladeira e chego no campo do Campinense Clube, lá sigo à esquerda, voltando para a praça do Rosário, e descendo aquela bela ladeira.

Agora a chuva impera, aquele frescor, e amigos passando de carro apoiando a descida. "-Corre, corre!". Leveza na descida. Leveza ao passar os inúmeros semáforos, mais uma subida de leve, e chego próximo ao Banana Beer, e o Big Mix.

Atravesso a avenida rumo ao Açude Novo.

Parque do povo.

Açude Velho, mais três voltas e alguns amigos de corrida, a chuva dispersou a poluição sonora para suas fontes de origem.

Alongamento.

Pronto, missão cumprida.

Exercícios no Parque da Criança.

Às 20h, felicidade.


terça-feira, 3 de março de 2009

Chuva e Açude Velho

A corrida de 8 quilômetros no final da tarde é essencial para despolarizar todos os neurônios de uma vez só. Imagine eu, primata, observando o que acontece, quando posso ir àquele local. Local este, Açude Velho, cartão postal de Campina Grande - PB, me faz pensar na morte da bezerra, bem como na mãe dela, e todos familiares. Penso, desabafo também.

Desabafando o que acontece de triste no dia-dia, buscando soluções mentais enquanto olho o caminho esburacado. Muitas vezes quando nos damos conta dele, puf, mais uma torção, e alguns dias de molho. Uma pena que a infra-estrutura não seja lá essas coisas, mas a falta de atenção é menor ainda. Portanto, as desculpas para uma possível não ida por existirem buracos no caminho, não é viável.

As soluções ficam guardadas, e logo são transcritas para o papel, quando chego em casa. Ou no computador, no bloco de notas (aprendi a produzir com essa ferramenta antiquada do Bill Gates).

O restante do dia fica melhor, as energias acumuladas são gastas. As energias que faltam são potencializadas para uma posterior janta ao chegar em casa. Revejo amigos, analiso a sociedade, criatividades e idéias nascem, e o que sempre fica implícito, cuido da saúde.

A última coisa que penso a ir ao Açude Velho, cuidar da saúde. Tem outros que pensam na estética também, estes não passam um mês correndo.

Nestas voltas e voltas, fazem cinco anos que estou por lá, algumas figuras são fixas. Outras são vistas esporadicamente. Há os atletas, os amadores, os candidados ao concurso da polícia, e a turma da caminhada. Me encaixo no segundo grupo, dos amadores, pois quando há tempo, o espaço é logo preenchido. Primo por ir ao Açude Velho sempre, estar em sintonia com o primeiro manancial de Campina, o mau cheiro e a poluição sonora constante também.

O que me atrai no Açude Velho é a distância de sua orla! Dois mil e quatrocentos metros de corrida. Enquanto, no Parque da Criança, ao lado, não dista a metade deste. O prazer de reencontrar amigos por lá é imenso. Como toda boa área de caminhada, há cachorros, cavalos, galinha, gato. Pescadores diversos, tendo aquele recanto como fonte de alimentação. Piabas diversas caem nas redes, piabas grandes, sem exagero. Pude comprovar no mês passado, ao ficar observando uma daquelas pescarias.

Invisíveis, assim como o mar é invisível para os pessoenses, o Açude Velho é invisível para os campinenses, os pescadores que ficam ao redor do Açude são invisíveis, o CUCA é invisível, a ACI é invisível, a estátua do Jackson é invisível, e o mais deprimente, o monumento dos tropeiros é invisível. Cada um pensando em sua saúde, ninguém pensando no coletivo, na situação socioambiental ao redor.

Hoje, foi um dia especial. Na penúltima volta correndo, nada de Sol, muitas nuvens cinzentas dignas de chuva torrencial se aproximando, pude contemplar uma das mais magníficas cenas do Açude. A chuva.

Em harmonia com o vento, um espetáculo se formou hipnotizando quem ainda estivesse disposto a correr, caminhar, e... levar chuva. Quantos "bodes" não correram nesta hora, para longe do Açude, procurando um abrigo contra a chuva. Ninguém percebeu aquele espetáculo de um lado para o outro, pingos e mais pingos por toda a extensão dele. Todos os quiosques pararam aquela poluição sonora habitual, com medo de queimarem as caixas de som. O som dos quiosques deram lugar ao som dos pingos de chuva caindo em todos os lugares, Me imaginei na pele de uma daquelas piabas, felizes com a aeração da água, com água pluvial chegando, e não de esgoto. Minimizando toda aquela eutrofização. Imaginei as populações de peixes, e comparei com as dos primatas. Vergonhoso. Afinal, lá era cada um pensando em seu benefício próprio, embora eu fique, ainda, com os peixes.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

São João do Tigre – 3º dia

15 de janeiro de 2009 – quinta-feira

PIC_0042

Acordamos às 5 horas e saímos da casa de dona Beta e andamos pelo distrito de Santa Maria.

PIC_0036 PIC_0039

Passamos em frente da Igreja, e caminhamos até o final da cidade, dando uma volta pelo cemitério e por fim, voltamos para o café da manhã e, logo após, nos encaminhamos para o “mato” da Serra do Paulo, como os moradores dizem. No café da manhã, conversamos sobre política. Gilberson chegou para nos levar à Serra do Paulo, eis nossa ida oficial. Percebemos durante o caminho inúmeros resquícios de lixo em todas as partes do distrito.

PIC_0033 PIC_0034

Chegamos por lá com o Sol das 9 horas no sítio de Seu Gonzaga, pai do Gilberson e ex-marido de dona Beta. Após a calorosa recepção fomos convidados pelo Gil cicerone a conhecer o olho d’água com “água mineral”, e também o poço com bomba movida à luz solar. Um oásis verde no meio de uma Caatinga seca.

PIC_0130

Saímos do sítio de Seu Gonzaga em destino à Serra do Paulo, e Gilberson nos deixa logo próximo a base da Serra. Passamos até o “razoável” infernal Sol de meio-dia, e também nos horários posteriores adjacentes, por dentro de uma mata cheia de urtigas e unhas de gato. Conseguimos acampar na metade do caminho entre o oásis, onde pegamos a água de cada dia, e o Pico do Paulo. Armamos nossas duas barracas iguais e finalmente tivemos as mochilas esvaziadas, com um almoço baseado em miojo e uma janta maravilhosa, contendo arroz com soja para o único vegetariano do grupo. Soja com o molho temperadamente maravilhoso, o quê culinário de Karina, se perpetuaria pelos próximos dias, como bebida tomamos o velho e famoso tang tangerina.

PIC_0083 PIC_0090

Saímos a primeira tarde para coletar lenha e tomar banho. A noite colocamos as armadilhas para os colêmbolos, lá no oásis, que contém capim elefante e é um atrativo natural para cobras e outros animais. Sentimos que éramos observados, com a presença de alguns sons estranhos, relâmpagos incessantes eram vistos do outro lado da Serra. Ao chegarmos em nossas casas, tivemos um belo papo próximo à fogueira (fogão). A Lua nasceu no alto da Serra às 22 horas, bela lua minguante, belos ventos frios. O grande suspense da noite ficou pela queimada em matas próximas, preparando a terra para o cultivo. Estávamos preparando o almoço, quando pensávamos que o clarão seria a Lua, mas não, a fumaça e as grandes chamas invadiam o nosso campo de visão, ficamos preocupados com o tamanho do incêndio, e estávamos no caminho do vento, seríamos vítimas fáceis do fogo. Emerson e Rienzy subiram a serra para averiguar o local e encontraram o fogo alto se alastrando, disseram que o fogo estava seguro, com dois focos um de onde começou, e outro mais próximo ao final do sítio para onde o vento levava as chamas. Ficou o susto como lembrança, e a sensação ruim de ter o hábitat de outros diversos animais destruído.

PIC_0085 PIC_0064

PIC_0075PIC_0054 PIC_0096 PIC_0103

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

São João do Tigre – 2º dia

14 de janeiro de 2009 – quarta-feira

Bem cedo, uma senhora abraçada com uma garrafa de 2L contendo leite nos dá um bom dia e com uma cara de curiosa nos pergunta quem somos nós. Essa pergunta se deu, segundo ela, pois já estava rolando na cidade um boato que chegaram três rapazes durante a noite, e não sabiam quem eram , e nem de onde vinham. Esclarecida a dúvida, quase que instantaneamente após esta mulher ir embora, as pessoas na cidade mudaram completamente o olhar aos novos forasteiros. Achamos incrível como as informações (ou fofocas) se espalham pela cidade. Ainda pela manhã, conversamos com o Prefeito, que nos atendeu prontamente e ficou interessado nos colêmbolos e oligoquetas que poderíamos coletar. Conversamos sobre as expedições arqueológicas e andamento das mesmas, e ele prontamente nos revela que estava esperando maiores contatos, desta forma saímos da sala. Sem sucesso, esperando o prefeito nos oferecer o auxílio de transporte, voltamos à praça e ficamos no intenso zênite solar das 9 horas da manhã. Rienzy compra um baralho e começamos a nos entreter no inferno urbano ali localizado, onde temos companhia da ebriedade de Naldinho, um dos funcionários do município, que se torna insuportável quando bebe. Ficamos na praça e logo a notícia se espalhou que os três indivíduos que dormiram na praça estavam a espera de uma Paula, aquela brincadeira telefone sem fio deve ser análoga nestas horas. Estávamos a subir na Serra da Paula, mas como a Serra da Paula para eles é do Paulo, não sei se por machismo ou patriarcalismo, as fofoqueiras de plantão se apropriaram da notícia, embora não entendendo bem o que queríamos por lá. Logo avistamos pessoas queridas, e que lembraram de meu rosto por visitarem o Sítio Pinturas durante uma das expedições arqueológicas que participei. Somos recepcionados próximo ao meio-dia por Frô, uma das figuras mais conhecidas do Tigre. Recebemos convites para tomarmos café na casa de “vizinhos”, na casa de dona Frô e no entorno da praça, próximo à Igreja, onde percebemos a casa de apoio da prefeitura e a utilizamos para escovar os dentes. O triste foi saber que poderíamos dormir por lá, em acolchoáveis camas daquele recinto, aí o sentimento de culpa de dormir na praça fluiu, onde poderíamos ter ligado antes reservando nossa dormida por lá. Então, continuamos nossa tarde esperando a chegada de Karina às 14 horas, e ela finalmente chega depois de algumas escalas em Afogados, Monteiro (onde almoçou) e São Sebastião do Umbuzeiro. Vai com Rienzy que ainda não tinha almoçado, e lá recebo dicas de professores do município para pegarmos algum carro escolar para Santa Maria, distrito do Tigre, embora não seja ano letivo, carros podem ser fretados pela prefeitura que banca as despesas do transporte, e assim chegaremos ao pé da serra. Outra dica importante é conversar com Cidão e ele prontamente nos auxiliaria quanto às informações básicas do local. Eles pediam também para conversar com o Márcio, um dos secretários para liberar facilmente o transporte, e como dica serviu, tanto que conseguimos nossa ida pela prefeitura após uma conversa com ele. Chego animado no restaurante de dona Frô para contar a novidade ao restante do grupo, pois tinha ido sozinho conversar com o Márcio, e voltamos à prefeitura com nossos pertences. Na prefeitura sabemos que vamos ser ciceroneados por dona “Beta”, que ao descer de sua bandeirantes 4x4 perguntou se éramos “Sem-terra”, e assim ficamos esperando eles receberem o “atrasado” até às 17 horas e partimos no final da tarde, sob direção do Gilberson, um dos filhos de dona Beta, o outro chama-se Gilcleiton, este último conheço mais no mais a frente. Vamos conversando sobre nossa ida ao Tigre e eles vão se entusiasmando com nossas idéias e objetivos, e logo conheço a entrada para o “Pico do Paulo” e nele vamos subir em outro dia, pois a Beta nos ofereceu estadia e comida, e desta forma, respondemos com total disposição e atenção àquela família de Santa Maria, que vive na melhor casa do distrito.

PIC_0051

Fato curioso ao esperarmos Karina na praça, Emerson foi comprar sandálias com Rienzy, e o chegar a uma das lojinhas levam uma bronca do vendedor, onde disse que o par de sandálias “havaianas” tradicional rosa era feminina. Tal fato quase se repete ao Karina auxiliar na compra, dizendo que as sandálias eram para ela, mesmo com o olhar de reprovação ao ver o pé dela e comparar como tamanho da sandália. Antes do extenso percurso mais de 34 quilômetros para Santa Maria, conversei com dona Lourdes, que me contava a realidade do campo, falou também sobre o desinteresse dos filhos em estudar, com o interesse em comprar gado. Disse que foi uma única vez a Campina Grande, e não tinha ido à João Pessoa e, conseqüentemente não tinha ido a praia. Um dos fatos que me impactou neste dia, e me fez refletir sobre as oportunidades poucas de valorizar a natureza, mais precisamente a Hidrosfera que toma por volta de 2/3 do planeta. Após ter ganhado confiança me conta um pouco de sua família, do sustento diário, da forma de vida, da infância, dos casamentos da região, da filha que era muda, dos familiares, da energia elétrica e do pai dela que é corcunda, da valorização do trabalho artístico, e do meu primeiro contato com a palavra Renascença, uma espécie de artesanato típico da região, tanto trabalhoso diria.

PIC_0020 PIC_0016

Na casa de dona “Beta”, após chegarmos logo de noite, temos como janta a sopa com creme de leite, sorda, queijo e pão. Um bate-papo legal na mesa, com um banquete de final de noite na janta, falando um pouco sobre a história da Paraíba. Conversamos também sobre a história do local. Após o jantar conhecemos diversas colchas de renascença, que são mostradas em outra mesa, feitas me alguns meses de trabalho, onde há valor principalmente histórico, desta forma priorizando o zelo à cultura da região, embora artesanatos obscuros, perdidos em armários, por não haver um típico específico de feira ou exposição que enfatize tais trabalhos.

PIC_0006 PIC_0011

Fotos antigas também foram observadas, da paisagem, e uma especial da Igreja que é o marco arquitetônico do distrito. A Igreja de São João do Tigre foi construída depois da Igreja do distrito de Santa Maria. Desta forma, a história de Santa Maria é mais antiga do que a de São João do Tigre. Segundo placa por trás da Igreja, a história religiosa do local tem início em 1860, podendo ser estendida ao passado.

PIC_0001 PIC_0032

PIC_0029

A saída da cidade que fica ao lado de Pernambuco, tem como destino a cidade chamada Poção. O distrito é valorizado também pelas Serras circunvizinhas. Na placa que contém alguns fatos históricos do distrito conta que cangaceiros do grupo de Virgínio, promoveram atrocidades e matanças na região onde foram em busca de bens. Outro fato curioso é o cemitério atrás da Igreja, que não foi salvado, tendo ainda a construção de uma antena de telefone fixo e algumas árvores que podem ter influenciado a deterioração dos vestígios. Ainda no distrito de Santa Maria, famílias tradicionais ficaram esquecidas, devido ao desconhecimento literário completo dos sobrenomes, seja no distrito ou na cidade de São João do Tigre. O distrito é hospitaleiro, onde todos tem pronta disposição a ajudar, e recepcionar informando os forasteiros. A Igreja foi reformada ganhando formas modernas, onde há um padre temporário de Poção que celebra as missas. O povo é um tanto omisso na hora valorizar aquele hotspot histórico e biológico, os discursos são rodeados por normalidades para eles, que são tesouros para os que chegam à cidade. A conversa com dona Beta também rodeou a emancipação do distrito, com a futura prefeita, e risos tomaram conta da sala. Uma área intocada, onde somos os pioneiros a desbravar tal área, acampando ao lado do Pico do Paulo, melhor notícia impossível. O diálogo da população ante nossa ida desvaloriza-a, caracterizando o processo de desconhecimento e desvalorização da área, como bem expresso anteriormente. O material artesanal é vendido em Poção-PE, e diversos cursos são promovidos, embora em um grande intervalo de tempo. Os limites do distrito são ligados a Poção, Pesqueira Santa Cruz. O distrito cresce ao lado e a frente da Igreja. Há energia desde o final dos anos 80, iluminando a área. Antes havia um motor parecido com o barulho de cortadores de agave, em festa de padroeiro o motor era ligado, e quando acabava o combustível, acabava a festa. Os casais dançavam no claro, e namoravam após o motor ter parado. Durante a observação das fotos da casa de dona “Beta”, imagens de cadáveres apareceram nos álbuns mais antigos.

PIC_0043PIC_0050

O tatu-peba que se encontrava atrás da casa, iria servir posteriormente de alimentação, exalando odor intenso e com um barulho parecido com um suíno, nos despedimos dele, embora com uma tremenda vontade de soltá-lo. Encontramos também no meio do caminho entre São João do Tigre e Santa Maria uma raposa. O conceito de que toda a casa do distrito tem armas é errôneo, só espingardas e 38, geralmente mantidas por caçadores. Mendigos são ausentes na região. Uma informação importante foi dita ao falarmos sobre o registro histórico do distrito onde havia um livro, do padre João Jorge, sobre a história clerical da Igreja de Santa Maria.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

São João do Tigre – 1º dia

13 de janeiro de 2009 – terça-feira

Emerson, Allysson e Rienzy na rodoviária nova, todos reunidos por volta de 15:45. O primeiro a chegar é Emerson, depois Allysson, e por último Rienzy. Início de lua Minguante e nós em direção a ela. Retiro a barraca das costas que estava presa à mochila coloco em uma das mãos, equilibrando e distribuindo o peso com o barril de 20 litros que estava na outra (claro que preenchido por água menos que a metade). Nosso ônibus saiu às 16:00 rumo a São Sebastião do Umbuzeiro (cidade mais longe que podíamos chegar através de um ônibus de viajem). Ao todo foram cinco horas dentro deste ônibus, descendo dele então umas 21:00. Quando chegamos a São Sebastião do Umbuzeiro, lá se festejava o dia do padroeiro da cidade. Assim, havia muito movimento na cidade ainda. Decidimos não parar lá. Pedimos algumas informações a alguns moradores como: qual estrada nos levaria a São João do Tigre, distância e se havia perigo irmos à noite. Seguimos caminhando então pela estrada que nos levaria a nossa cidade final. Os temas versavam sobre religião, e logo eram as primeiras noções de discurso do nosso recém-amigo de viagem, o Rienzy. Emerson já conhecia de longa data. Conversa vai, conversa vem, paradas também, e nos primeiros metros uma picape saveiro sem nenhuma carga, nada de carona. Algumas curvas a frente, parados debatendo assuntos devido ao peso extraordinário que carregávamos, ia chegando José, como ele próprio se identificou, um morador da região que caminhava sozinho pela estrada. Logo, um caloroso boa noite é verbalizado, quebrando assim o gelo, a barreira social, e nos aproximamos dele, perguntamos para qual sentido ia, e onde ele morava. Após as respostas escutamos a primeira demonstração de hospitalidade “ – Vocês querem um pouco d’água que tenho aqui?”. Imagine só, uma pessoa que quase nos passava imperceptivelmente, onde pensávamos que vinha do além para conversar conosco, e ainda nos oferecer água. Após isto, José nos deixa e continua a caminhada. Colocamos as mochilas nas costas e passaram algumas Toyota Bandeirantes 4X4 modificadas (comuns na região) para São João do Tigre, mas sem sucesso quanto a carona. Deveria concluir que por medo de três indivíduos com semblantes de forasteiros andando por aquelas bandas, só poderiam ser ladrões. Não obstante, continuamos a andar com destino à São João do Tigre, com a coluna “gritando”, até que por volta dos quatro primeiros quilômetros pós saída de Umbuzeiro, pára um caminhão sem carregamento. Falamos que íamos para o Tigre, e o motorista nos mandou subir. A melhor parte foi quando contamos 45 minutos de viagem de carona até São João do Tigre, em uma velocidade digna de Rally sem distinção entre buracos pequenos ou grandes, o caminhão cortava a estrada noite afora. Antes chegaríamos de madrugada, agora chegamos às 23 horas na praça principal. O detalhe de nossa carona foi um caminhão todo remendado, cheio de buracos visíveis, e se minha mochila não fosse grande o suficiente para não adentrar em um dos diversos buracos que cabiam minha perna, teríamos certeza que ela cairia na metade do caminho, quebrando alguns objetos importantes de nossa viagem. As madeiras que compunham o caminhão rangiam intensamente com risco de quebra e as correntes completavam a poluição sonora. Tantos e tantos buracos de diversos tamanhos e formas pelo caminho levou o motorista a parar o caminhão que estava nas últimas, o suspense tomou conta deste momento. Pois no início, antes de subirmos no caminhão ele perguntou: “- O grupo são só vocês?” O motorista e o acompanhante descem, o motorista sem a camiseta e o companheiro com uma cara de poucos amigos. Logo, nos veio a sensação de medo quando eles disseram em outro idioma que significava algo relacionado às rodas do caminhão, e aí aumentou o suspense, pois não sabia o significado daquela palavra, muito menos a razão deles se aproximarem de nós. Após olhar o problema, pegaram o martelo, oferecemos ajuda, e nos aquietamos mais. Ele apertou alguma espécie de parafuso e seguimos viagem por 10, 20, 30 minutos e nada de chegar à São João do Tigre, até quando entramos em uma rua do município, que estava no horário deserta. Quando fui agradecer a carona, com no mínimo um obrigado, vejo uma tatuagem totalmente desbotada no braço, em tons de azul, onde era expresso o topless de uma mulher. Depois fui saber que aquelas tatuagens não eram feitas em presídios ou algo do gênero, e sim em reuniões de amigos que tiram motores de rádio tipo toca-fitas e afiam o eixo central de forma a ficar pontiagudo como uma agulha, feito índios modernos, algo que me impactou. Bem-humorado, solta uma piadinha. “- Olha aí, não disse que era longe?” Descemos do caminhão e caminhamos para a praça, nos deparando com um grupo de jovens tocando violão. Desta forma, saímos de cena (com aquelas mochilas enormes chamando atenção) e sentamos próximo à Igreja, embora na mesma praça. Rienzy vai ao telefone e fica alguns minutos, e fico conversando com Emerson. Detonamos o primeiro lanche da viagem, um panetone, por conta do peso. Esperamos o tempo passar, deitamos na praça e ficamos lá, onde diversos transeuntes curiosos com nossa presença não nos tiravam os olhos. Enfim, “dormimos” na praça. Preferimos não armar nossas barracas para não chamar ainda mais atenção e para não perdermos tempo reorganizando tudo na manhã seguinte. Dessa forma, tínhamos apenas o chão gelado como nossa cama e nossas mochilas como travesseiro. Havia um caminhão com redes penduradas por perto, embora com pessoas dormindo em um local mais reservado. O frio começa e com ele os sustos, o principal foi de um cachorro das imediações que ao fuçar o lixo de uma casa nos acorda com um estrondoso som de alumínio batido. A insônia aperta, nada de Sol raiar, os minutos são contados por Emerson, e começo a roncar, com cochilos leves, até acordarmos pela manhã, todos entrevados, com aquele ar de pessoas estranhas, que no mínimo iriam roubar a cidade.

domingo, 11 de janeiro de 2009

São João do Tigre - PB

Olho na janela, noite de lua cheia. Já era para o grupo ter partido, pegado estrada. Então, sinto informar, mas nestas férias ganho vida de mochileiro, eu e mais dois amigos, ao todo são quatro, mais o amigo de minha amiga. Um grupo de quatro aventureiros em busca do segundo ponto mais alto da Paraíba, a Serra da Paula, que fica menos de 10 metros abaixo do Pico do Jabre, e faz parte com diversas outras Serras, da divisa entre a Paraíba/Pernambuco. A Serra se encontra na cidade de São João do Tigre - PB, extremo sul da Paraíba. Onde a Caatinga impera, e o calor também, tanto que nossa maior preocupação será encontrarmos água pelo caminho. Não temos preocupação com comida, assaltos, rota certa, mas sim com a pergunta, que assassina meus neurônios.

Será que lá tem água?

Ano passado (2008) estive por lá, em meados de fevereiro, época de seca, sondamos o entorno do Serrote do Caboclo, para uma futura expedição arqueológica, que em abril foi efetivada.

Sairemos nesta terça-feira, 13 de fevereiro, às 16:30 para Sâo Sebastião do Umbuzeiro, cidade mais próxima. Depois do itinerário que passa por Sumé, Monteiro, Zabelê até chegarmos a dita cuja cidade, por volta de 20:30. Portanto, não há transporte neste horário para São João do Tigre, e assim vamos caminhando madrugada afora, contemplando a natureza e a lua cheia. O frio é intenso a noite, pretendo não parar, a caminhada constante é fundamental para chegarmos na cidade pela manhã. A caminhada até São João do Tigre dista 20 quilômetros, e chegando na cidade, mais 20 quilômetros até a Serra. Esperamos ficar, no mínimo, cinco dias fora de casa, longe do celular, computador, televisão, parentes e amigos. De quebra vamos coletar a fauna de solo, alguns colêmbolos e oligoquetas, que por ventura estarão lá bem escondidinhos, visto que esta é a época deles se esconderem. Animaizinhos que adoram sombra e água fresca, o que lá nesta época não há.

Seguindo a canção, vamos chegar, na metade do caminho à Serra, na Área de Proteção Ambiental das Onças, a maior (36.000 hectares de Caatinga Fechada) e menos conhecida da Paraíba, vide fotos aqui, local encantador, cheio de ossos por todos os lados, cobras, escorpiões, raposas, diversos pássaros. Serras e serrotes compõem bem a paisagem. Subindo em qualquer um deles, sentimos o quão bonito é o local, município que já tem mais de trinta sítios arqueológicos catalogados. Segundo o projeto que tramitou para aprovar aquela área como proteção ambiental, haviam onças vagando pelas matas, e por isso o nome da cidade “do Tigre”. Os nativos sempre gostam de aumentar as alegorias. Hoje não mais existem onças naquela área, pelo menos acho, já que não há pesquisas por lá também. Caso encontre uma capturarei a imagem, e claro ficarei parado esperando ela passar. Invadi o hábitat dela, ossos do ofício.

Poderia optar por ir ao Pico do Jabre, ou Serra de Caturité (outro ponto também tão alto quanto), mas preferi ficar em São João do Tigre, local bem longe da civilização urbana, embora vasto de motoqueiros, cavalos e aqueles carros “bandeirantes” com a carcaça modificada para transportar passageiros.

Lembrando que os motoqueiros de capacete naquela área não existem, portanto há de se desconfiar de algum motociclista correto ao passar por nós.

Vamos adquirir um pouco do dia-dia de lá, vamos ficar amigos da rotina do local, quem sabe visitar uma capelinha, seguir algum ritual a noite, vivenciar outras culturas, escutar mais do que falar, ah! E claro, anotar! Anotar tudo e trazer para o blog, necessitamos de informações sobre aquela área pouco valorizada da Paraíba.

O novo prefeito de São João do Tigre, Eduardo, esta no lugar que foi de Seu Genuíno, por estar caducando e não conseguir nem ao menos se deslocar de João Pessoa, cidade onde mora, para São João do Tigre. Esta notícia pelo menos foi ótima, visto que o Eduardo já tinha diálogo com a equipe de arqueologia, e assim fica fácil chegar até ele com proposições, parcerias.

Capturarei imagens e colocarei em meu álbum virtual, para aumentar a valorização daquela área. O calor lá é intenso, principalmente quando o zênite solar está formado, logo um fototropismo negativo se formará, e quem sabe adentrarei às terras desidratado, sete palmos abaixo dela, o nosso inferno, embora paraíso dos colêmbolos.

Uma boa mochila e uma boa faca. E no caso de São João do Tigre, temos de ter uma boa cisterna no caminho também.

Deixo este texto com uma revelação, pois aprendi a cozinhar no mato, com com muita fome foi aprendendo aos poucos. Vegetariano no mato tem de cozinhar sua própria comida, pois sempre chega um engraçadinho com uns temperos musculares na panela e acaba estragando a comida. Meus companheiros de viagem são pessoas compreensivas, vão conseguir me aturar por uma semana. Claro, se faltar comida, a última alternativa será caçar e comer carne. Deixando claro, a última alternativa.

Imagem de São Sebastião do Umbuzeiro - São João do Tigre. Fonte: AESA


2

sábado, 6 de setembro de 2008

João Pessoa



Eis a Capital da Paraíba, João Pessoa! Maravilha de lugar, banhado pelas águas do Oceano Atlântico! Com movimentos hídricos que não levam nutrientes para a costa, e sim para o fundo. Esta parte leste do continente americano, bem como toda a extensão, não propiciam um bom comércio pesqueiro, peixes só no alto mar, escassos. Ao contrário da parte oeste da costa americana.

As praias de João Pessoa são belas, uma delas foi desenhada por mim, dentre tantas reflexões na beira da praia, pude fazer um esboço do que via na orla. Refiro-me a Cabo Branco, por volta das 14:00 horas, após comer uma tapioca quatro-queijos na feirinha, fui sentir a vinda dos ventos alísios, junto a beira-mar, ao som da quebra das ondas, pássaros. Bem como a poluição sonora e da areia da praia, não podemos deixar implícita esta parte.



A parte direita do desenho, compreende o Hotel Tambaú, na outra ponta à direita, a Ponta-de-Seixas, onde há a bela Estação Ciência e o Farol do Cabo Branco, que por si só já é um espetáculo, retratada na figura, as falésias (riscos na perpendicular). A vegetação é essa parte com rabiscos circulares em formato de esponja, os prédios e as casas foram desenhados também. A noção de extensão da areia foi feita através de minha visão sobre o local, me encontrava ao próximo do Hotel Tambaú, por isso desenhei uma extensão de areia maior na parte inferior, do que na ida ao Farol do Cabo Branco (à direita). Os riscos mais grossos no fundo do mar, é a quebra das ondas próximo ao recifes, local onde há o limite ao alto-mar. Barcos também compunham o cenário. Coqueiros e Restingas fazem parte da orla também, e foram retratados na figura.

Daqui há alguns anos voltarei com esse desenho, e terei uma noção proporcional ao visto durante esse dia 6 de setembro de 2008.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cuité


Pelo pouco que eu conheci da cidade nestes dois dias do II Encontro de Biologia da UFCG, achei fascinante a beleza da vegetação nos seus arredores, e das instalações da própria UFCG. Para quem gosta de um clima frio e um local arejado com uma vista estonteante de cima de uma serra, bem meu amigo, você deveria conhecer cuité!


Outro fato bem interessante que me surpreendeu foram as instalações da biblioteca. Grande parte automatizada com um sistema de cadastro de livros a partir de um banco de dados digital, detector de metais e livros, acompanhado de roleta para restringir o acesso a apenas alunos ou convidados autorizados. Sem falar do acervo da biblioteca, apesar do campi da UFCG ter poucos cursos - não sei quanto ao ensino, por isso não vou me atrever a comentar - a sua biblioteca faz juz aos que estão em funcionamento. Na área de ciências biológicas nos deparamos com vários "A Economia da Natureza" novinhos! Prateleiras e mais prateleiras de "Biologia vegetal" de Raven e uma estante so para exemplares do Sobotta, novinhos! Enfim.. fica a dica, pra quem quiser conhecer o campi e a beleza natural presente na região, fica a dica! Saindo de cmapina grande, percorre-se aproximadamente 130 km para chegar a Cuité em uma estrada razoavelmente sem nenhum problema!
Então é isso.. fica as fotos pra vocês!