sábado, 7 de fevereiro de 2009

Cultura do Menosprezo

A palavra-chave em pesquisa e prática de ensino na formação de professores nos leva a Cultura do Menosprezo. Uma dicotomia que nasce dos professores do ensino fundamental e médio, quiçá superior, que não pesquisam e têm uma ampla experiência com as problemáticas da sala de aula, e a outra face da dicotomia compõem os pesquisadores, que investigam as metodologias e instrumentos a serem utilizados na sala de aula, sem a experiência, a praxis.

Esta “tradição” fez com que a valorização das pesquisas sobre o professor e a escola permanecessem ligadas às proposições de pesquisa realizadas por acadêmicos e não pelos sujeitos da ação, que são os professores da escola básica. Sendo assim, os problemas analisados e “solucionados” pela academia partem muitas vezes de perguntas elaboradas por pesquisadores, e não por professores. Como consequência, as respostas são consideradas boas para a academia, mas não para a escola real, repleta de contradições e de complexidade. LUDKE, Menga. O Professor, seu Saber e sua Pesquisa. Educação e Sociedade, Campinas: CEDES, n.74, abr.2001. p.77-96.


Continuando:

Essa dualidade de perspectivas revela, ao mesmo tempo, n o professor a percepção de que a pesquisa acadêmica não consegue atingir os problemas e os temas mais importantes e próximos do seu trabalho na escola, mas que ela provavelmente domina os métodos e os recursos necessários para investigar devidamente aqueles assuntos fundamentais. A pesquisa que ele faz, ou poderia fazer em sua escola, parece não ter, aos seus olhos, a capacidade de dominar plenamente o conhecimento do objeto desejado, mas não há dúvidas de que ele é quem sabe qual é esse objeto (não o pesquisador da academia). Seu saber parece ficar pairando em um interstício, situado entre o que ele domina pela sua aprendizagem anterior em confronto com o que sua experiência vem confirmando e sua aspiração de expansão desse saber, por meio de recursos que poderão vir da pesquisa, talvez, não necessariamente. Em todo caso, seu trabalho presente não depende dela, aparentemente. Não da pesquisa tradicional, canônica, embora ela continue a funcionar como modelo distante, aprendido na instituição formadora e atuante até hoje.

Enfim, o "dom" de ensinar, presente no discurso de dinossauros, mostra o bloqueio, o muro existente entre professores novos e dinossauros. O mesmo quanto aos professores novos, que não dialogam com os dinossauros, tendo como discurso a soberba mediocracia (mestrados, doutorados, post-docs), e diversos livros didatico-científicos lidos.

A Formação Social da Mente


Estou lendo atualmente o livro "A formação social da mente" do Vigotsky, embora ele tenha compilado diversas idéias e experimentos de outros autores, fizera um aparato didático para psicologia, imprescindível para sabermos como nós agimos em diferentes faixas etárias, e quais as características-chave para formação do intelecto.

Na introdução ele faz um histórico dos estudos que antecederam a ascensão da psicologia humana no mundo, e o desenvolvimento dela foi comparado ao desenvolvimento da etologia, não diria como está no livro: psicologia animal, pois os humanos se encaixam nela.

Uma das primeiras noções que ele descreve sobre o desenvolvimento cognitivo, está ligado a comparação dos macacos antropóides e das crianças que são privadas do direito da fala. Estas últimas, não têm uma boa noção do que fazem, pois todas as crianças no processo de aprendizagem, têm de ficar perguntando, ou descrevendo o que faz, na hora da ação. Quando são privadas, elas passam a não fazer a ação, com medo de errar, outrora confiando na fala. A gente percebe isso atualmente, existem pessoas que lêem em voz mediana nas bibliotecas, elas ganham maior compreensão dos livros do que as pessoas que lêem silenciosamente (também por serem atrapalhadas pela poluição sonora de cada dia). Após um bom bibliotreinamento, aqueles que lêem silenciosamente progridem para o próximo estágio da leitura, o da compreensão sem a fala.

Outra noção importante está ligada às figuras. As crianças analisam as fixamente as ilustrações do livro, descrevem elas paradas, e não descrevem as ações e a situação contextualizada da figura, elas não têm o poder de analisar as ações, somente descrever os pontos fixos. Uma ilustração com dois rapazes jogando bola, ela descreveria as pessoas, a bola, as traves, mas não descreveria a ação em si, para onde a bola iria, para onde o jogador iria, o que o jogador estaria fazendo, a perna iria sair de onde para onde, o mesmo da bola. Essa outra noção que o Vigotsky nos dá, foi experimentada comparativamente com crianças de diferentes faixas etárias, quando maior a idade, maior a compreensão. Claro, que isto tem um limite, a deterioração cognitiva, vulgo caduquisse.

Continuando no texto, o Vigotsky explicita a importância dos signos no processo de especiação dos humanos, uma das diferenças dos macacos antropóides e dos humanos é a nossa capacidade de interpretar e significar a matéria. A partir dos diversos significados, temos a capacidade de formar nossa cultura.

Leio estes textos, pois na minha formação, são imprescindíveis para ganhar poder persuasivo, embora a psicologia faça parte da grande área "ciências biológicas". Não é o mesmo tesão de ler sobre Vigotsky obrigado, durante uma das disciplinas da licenciatura, fiz a leitura de uma das apostilas sobre as idéias dele, mas não foi a mesma grata compreensão. Espero que a disciplina Psicologia da Aprendizagem, melhore este ano, pois o Vigotsky sempre colocou a biologia comparativa em primeiro plano, a evolução ontogenética também é explorada nos textos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

São João do Tigre – 5º dia

17 de janeiro de 2009 – sábado

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Acordamos na casa de Seu Gonzaga, preparamos o café, pão assado com orégano, leite quente tirado das vacas do sítio, café, biscoitos, doce de goiaba, e após Seu Gonzaga aparecer, nos oferece queijo fresco de feição dele.

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Maravilhoso queijo que me faz nascer o pecado da gula. Arrumamos nossas coisas e colocamos as mochilas nas costas em sentidos nossas casas, onde arrumamos tudo e fizemos nosso maravilhoso almoço com arroz e batata doce. Passamos a tarde dormindo e logo fomos nos banhar, no final da tarde subimos a Serra do Paulo para apreciar o pôr-do-Sol, lá ficamos algumas horas, pós pôr-do-Sol a pilha acaba.

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Aparecem as infinitas estrelas. Com o frio intenso descemos, e com ele a total escuridão, sentimento leve de “vamos nos perder”, não deu outra, após descermos a parte da pedra verde que escalamos no primeiro dia, caminhamos diretamente para as macambiras, e encontramos a saída na extrema direita da mata, um caminho um tanto fechado para ser visto a noite. Interessante como de noite tudo muda de configuração. A ação dos ventos a noite era intensa, fizemos miojo e sopão, após alguns minutos de conversa, dormir. Como pioneiros no local, decidimos batizar o nosso camping como a “Vila dos Extremos”.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

São João do Tigre – 4º dia

16 de janeiro de 2009 – sexta-feira

Após a grande noite de sono, acordamos logo cedo, antes do Sol nascer. Emerson foi à campo coletar minhocas, e eu fui atrás dos colêmbolos, Rienzy atrás do leite quentinho de vaca que Seu Gonzaga tinha prometido no dia anterior. Após concluirmos nossas façanhas e Karina ter ficado na barraca. Fizemos nosso piquenique matinal, tal fato soma-se a fome naquele período.

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Fogueira acesa, leite fervendo. Café, chá e cappuccino, respectivamente, eu, Emerson e Karina. Do café da manhã para a Serra do Paulo, local maravilhoso para observarmos a beleza do local. Ficamos lá em cima contemplando a altitude e conversando nos ares sobre família, religião e sociedade. Logo avistamos diversas Cumulus nimbus se aproximando, diversas tempestades sendo guiadas pelo vento, ou seria pela rotação da Terra. Alguns trovões aparecem e, após, relâmpagos que nos tiram rapidamente de cima da Serra em busca de uma altitude mais baixa, longe dos perigos da eletricidade. Descemos pelo local errado, os afloramentos rochosos escorregadios, principalmente a parte mais escura das rochas com lodo. Ao descermos rapidamente, cai e cortei alguns dedos da mão na macambira que aparou minha queda, o mesmo aconteceu com Karina que vinha logo atrás de mim. Subimos novamente e pegamos o caminho certo da descida, ainda depressa, viramos vítimas de pequenos escorregões nas pedras liquenizadas. Pegamos nosso material nas barracas e logo nos vemos embaixo d’água. Colocamos as lanternas e a câmera digital no saco de lixo que carregávamos, e descemos a Serra embaixo de um imenso pé d’água. Este que, deixou todos molhados antes de chegarmos a casa de Seu Gonzaga, pé d’água que foi responsável também pelo som de trovão mais alto que já escutei, uma espécie de míssil caindo na Terra, me senti na Palestina. Tiramos as roupas e descemos à “vagem” (o oásis visitado um dia antes), logo após, a frente vemos uma cachoeira pluvial caindo com início no topo da Serra. Não podíamos ainda tomar banho de poço pois o Sol, devido a bomba ser movida por energia solar, estar ausente no momento. Diversos raios e trovões, além dos pingos fortes marcaram a tarde, voltamos ao acampamento as barracas com a maioria de nossos pertences molhados e muita ventania, além do frio. Cor a lenha úmida ainda tentamos fazer uma fogueira, embora sem êxito, só um aquecedor temporário para secar sinteticamente nossos calçados e roupas.

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Logo colocamos as roupas secas nas mochilas e partimos Serra abaixo, com os mantimentos para cozinharmos na casa de Seu Gonzaga. Logo, ele nos esperava com aquela gargalhada intensa e super original, ficamos conversando sobre a serra, a família dele e conhecendo melhor a sua autobiografia verbal. Liberando a casa para nós ficarmos, ajustamos nossos aposentos para dormirmos feito pedra durante a noite fria, após a intensa atividade muscular. Ainda jogamos sinuca, livros foram lidos, e eu continuo escrevendo este texto nesta maravilhosa noite cheia de insetos e sonoplastia biodiversa.

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